A trajetória de uma atleta de elite no cenário de esports exige muito mais do que reflexos rápidos. No caso de Paula, conhecida mundialmente como Bstrdd, essa caminhada envolveu diversos desafios. Desde os geográficos e até uma mudança radical de país. Recentemente, em uma entrevista exclusiva ao Exitlag News, a pro player detalhou sua jornada de superação.
Atualmente, ela brilha como embaixadora da Exitlag e pilar fundamental do MIBR. No entanto, o sucesso que vemos hoje nos palcos do VALORANT começou de forma humilde. A chilena encontrou nos videogames muito mais que um refúgio. Encontrou uma carreira sólida que inspira milhares de novos talentos.
O despertar do talento nos jogos de tiro

A paixão de Paula pelos jogos eletrônicos surgiu por influência direta de seu pai. Durante a infância no Chile, ela explorava diversos títulos em consoles clássicos, como o PlayStation. Dessa forma, títulos como Dragon Ball Z e The Sims faziam parte da sua rotina diária.
Entretanto, foi nos jogos de tiro em primeira pessoa (FPS) que ela demonstrou uma facilidade atípica. Enquanto a maioria dos jogadores leva anos para subir de nível, ela alcançou patamares altos rapidamente. Sobre o início no CS:GO, a jogadora relembrou sua evolução meteórica durante a conversa.
“Eu acho que eu não sei quando eu descobri que eu era boa nos jogos tipo de tiros. Porque eu lembro que, quando eu comecei, lá em 2015, eu já estava no Global Elite. E acho que no ano seguinte, já tava tipo nível 20 no Gamers Club”, afirmou Bstrdd.
Essa base competitiva foi essencial para sua transição posterior ao VALORANT. A pro player provou que o talento bruto, quando aliado à disciplina, gera resultados impressionantes. Por isso, ela se tornou rapidamente uma das peças mais cobiçadas pelas grandes organizações de esports.
A luta contra a latência e o ping alto

Um dos obstáculos mais severos na carreira de Paula foi a infraestrutura de conexão no sul do Chile. Morar longe dos servidores principais de competição impunha uma desvantagem técnica constante. Além disso, a distância física exigia uma resiliência mental, algo que poucos jovens jogadores conseguem manter.
Durante a entrevista, ela explicou como a logística afetava seu desempenho nas partidas competitivas. O esforço para se manter no topo, mesmo com condições desfavoráveis, moldou seu caráter resiliente. Com isso, ela aprendeu a valorizar cada oportunidade de jogar em ambientes de baixa latência.
“Então eu comecei a jogar lá no sul do Chile, que tinha um lag bem maior (em comparação a Santiago). Tipo 3 horas no ônibus, para você ter noção da distância. Aí sim eu jogava com bastante lag. Por exemplo, o meu ping ficava entre 70 e quase 80, em um dia bom”, desabafou a atleta.
Essa experiência negativa com a conexão foi um dos motivos que a aproximou de ferramentas de otimização. Hoje, como embaixadora da marca, ela entende a importância de uma rota estável para o alto rendimento. Afinal, no nível profissional, milissegundos determinam quem vence o confronto.
A nova vida e o calor do público brasileiro

A decisão de se mudar para o Brasil transformou não apenas sua carreira. Como também sua visão de mundo. Paula precisou lidar com a barreira do idioma e a intensidade de São Paulo. No entanto, o acolhimento da torcida brasileira facilitou muito esse processo de transição cultural.
A jogadora destacou que a energia dos fãs locais é incomparável a qualquer outra região. Essa conexão emocional tornou-se um combustível para suas performances dentro do servidor. Dessa forma, ela se sente em casa, mesmo estando a quilômetros de distância de sua terra natal.
“Eu acho que os brasileiros são mais de coração, são mais legais, são tipo felizes”, comentou com entusiasmo. Essa percepção positiva reflete a simbiose entre a atleta e sua nova base de fãs.
Apesar da felicidade, a adaptação urbana em São Paulo ainda gera surpresas constantes. Ela compara o ritmo frenético da capital paulista com a organização mais contida de Santiago. Por fim, ela admite que a infraestrutura brasileira para o cenário de VALORANT é um diferencial competitivo.
Como lidar com a pressão no topo do cenário
Manter-se no auge por tanto tempo gera uma carga emocional considerável sobre qualquer esportista. Para bstrdd, a maior pressão não vem de fontes externas, mas sim de sua própria ambição. Ela se descreve como uma competidora nata, que se acostumou com o gosto da vitória.
Durante o papo, ela revelou que a autocrítica é uma ferramenta constante de evolução. No entanto, essa mesma característica pode tornar as derrotas mais amargas do que o normal. Por isso, o trabalho psicológico tornou-se tão importante quanto o treino de mira diário.
“Eu acho que não sinto muito essa pressão de performar bem, mas sinto essa pressão de ganhar, porque é algo que eu gosto. Eu acho que fiquei mal acostumada, pois comecei dominando tudo no cenário, né?”, confessou Bstrdd sobre sua mentalidade competitiva.
Além disso, ela ressalta que o equilíbrio mental é o que sustenta a performance em momentos decisivos. Em partidas de alta tensão, a clareza de pensamento vale mais do que a técnica isolada. Dessa forma, a atleta investe tempo cuidando da sua saúde mental para evitar o desgaste.
Planos futuros e o legado no cenário inclusivo
Embora ainda tenha muito fôlego para competir, Paula já vislumbra caminhos para o futuro. O interesse por moda e a criação de conteúdo aparecem como horizontes possíveis. Claro que somente após a aposentadoria. No entanto, seu foco imediato permanece total no Game Changers e em títulos mundiais.
Ela acredita que o cenário inclusivo ainda tem espaço para crescer e se profissionalizar mais. A hegemonia de sua antiga equipe, a Team Liquid, serve como meta para outras organizações que buscam o topo. Assim sendo, a renovação de talentos é fundamental para manter o ecossistema saudável e competitivo.
“Eu acho que eu vou competir ainda, porque eu acho que eu tenho muita coisa para conquistar. Espero poder continuar competindo até uns 30 anos. Contudo, no futuro assim, eu gostaria de trabalhar com internet”, revelou sobre seus planos de longo prazo.
Para as jovens que desejam seguir seus passos, a mensagem de Paula é de total entrega ao objetivo. O caminho exige sacrifícios pessoais e uma rotina de treinos exaustiva. Com isso, apenas quem possui uma paixão genuína pelo jogo consegue suportar os desafios da vida profissional.
A história de Bstrdd é um exemplo de que fronteiras podem ser rompidas com dedicação. Seja enfrentando um ping alto no Chile ou a pressão de estádios lotados, ela segue firme. Por fim, seu legado no VALORANT já está escrito como uma das maiores atletas da história. E claro, que vai seguir sendo marcado, a cada nova conquista.